Foi em um dia qualquer, num mês qualquer
No fim da década de 80.
Deu-se um encontro entre o jornalista (anônimo)
e o médico Fred Fredson. esbarram-se
na fila do supermercado "Lumière" em Paris.
O anônimo vestia calças vermelhas
O Fred Fredson calças brancas.
O jornalista comprara um livro de bolso
de Simone de Beauvoir que a dois anos
falecera de pneumonia, levou também
nozes, cigarros e algumas cervejas.
O médico estava levando preservativos,
almôndegas, cigarros e algumas cervejas.
Se olharam com um olhar de fome, de sede
e de vício.
Chegando ao estacionamento, o jornalista
solitário, sorri, sorridente aproxima a ponta do seu cigarro ao cigarro
alheio e acende-o.
Um jornalista e um médico no estacionamento.
desconhecidos, encarniçados, tarados.
trepando na vaga reservada à pessoas especiais, gozaram e gargalharam.
depois cada um seguiu seus destinos. Não trocaram telefone.
O Dr. seguiu pensando
na desculpa que daria a sua esposa, afinal, era domingo
e eles sempre fodiam aos domingos, tinham três filhos,
a mulher não tomava anticoncepcionais, ela fora educada em escolas
Francesas mas era judia e gostava de foder aos domingos
e excepcionalmente era seu aniversário.
O jornalista pelo caminho
achava graça na beleza da torre de ferro
achava graça na beleza da rua solitária e iluminada
beleza que não tinha percebido durante a ida ao supermercado,
beleza que só se manifestara depois da fila e da
trepada na vaga
destinada aos idosos, deficientes e grávidas.









